terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Cachoeira, Gal e Gilberto Gil: baratos totais (!)

Gal
Huntologi em Cachoeira ( Casa de Luiza de Oyá)

Mestríssimo Gil



Os olhos e o coração voltados para lá: lugar do Rio Paraguaçu, da Festa da Boa Morte, de Gaiaku Luiza, da negrada jeje-nagô deste país... Manhã desejosa da voz de GilGal em Barato Total - a vida ofertando delícias; canto sublime de uma mulher na poesia insigne de um compositor cantor do mundo partindo do Recôncavo baiano. Estou numa confusão que é o puro acerto. Quando a gente está contente nem pensar que está contente a gente quer... A vida é uma senha para o prazer e a gente ouve do sentir felicidade a grandeza misteriosa de respirar inteiro a nossa existência.
Estou nos agudos de Gal sonhando com Cachoeira, uma coisa poema de Damário da Cruz, sendo todos orquestrados por Gilberto Gil. Queria ter o dinheiro de Wall Street e, produzir um show de Gal e Gil em Cachoeira; tirar Gal do casulo e fazê-la inebriar a Bahia com um repertório anos 70 e 2010... Gil cantando e acompanhando o instrumento humano Gal. Garantia de poesia e os olhos se ofertando à minha paixão por alguém que vem daquele sonho profundo e lindo de cidade. Bom dia Cachoeira, Gal e Gil, amanheci na companhia de vocês.

Márcia Short e basta!

Antropólogo cobra reconhecimento para Márcia Short. Foto:Karina ZambranaDivulgação

Marlon Marcos
Existe uma coisa nesta cidade que está longe de ser saudosismo. É vivacidade, luz criativa do presente musical de alguém que tem história e que conta história como poucos.
Seu nome é Márcia Short. A voz surgida da Axé Music que muito nos traduz. Ela não é uma cantora da Bahia – é do Brasil. Ampla emissão que ecoa em nossos ícones, como Elis Regina. A moça, mãe de dois filhos, é luminosidade em seu canto potente, sua presença de diva, sua experiência de mulher negra na Bahia, filha de Oyá do Terreiro do Gantois, rainha em seu ofício de cantora.
Márcia é daqueles adjetivos que a gente simplifica e chama de magnânima. Se não estamos emporcalhados pelos ditames do novo mercadológico, estamos surdos e insensíveis quando não a consumimos e não a destacamos. Nós que parimos Maria Bethânia, Gal Costa, Virgínia Rodrigues e que emprestamos ao mundo o suingue criativo de Daniela Mercury (ventilação absoluta no nosso desgastado Carnaval) e Margareth Menezes – força negra reluzente na Bahia das musinhas brancas… Sobre isso, prefiro não comentar.
Ouçam e divulguem Márcia Short. Não tem segredo. O Maranhão deu ao Brasil Rita Ribeiro. A Bahia esconde de nós mesmos e deste país, Márcia Short. Não estou falando do que já passou, ou da Banda Mel. Falo de uma cantora gigante, linda, expressiva e inventiva. Uma cantora que põe platéias inteiras para cantar, dançar e chorar felizes e, sem dramas, relembrar de “velhos” repertórios ratificados como clássicos no brilho de beleza desta filha de Mãe Cleuza de Nanã.
Não aceito como musa o engodo comercial Cláudia Leitte. E ver calada, sem espaço mercadológico, a voz de Short, rejeitada pelo discurso racial enrustido: quem vende o carnaval baiano são as louras, mesmo que a música seja periférica e de matriz negra na capital baiana.
Márcia é uma das maiores cantoras brasileiras. A Axé Music revelou o seu potencial. Mas ela canta este repertório com maestria e vai além muito desta classificação; é um tipo mais contemporâneo de Baby Consuelo, orquestrando, ao lado de Daniela Mercury, o melhor que a musicalidade do Carnaval baiano pode imprimir na gente.
Acordem mídia e baianos, neste verão, todas as segundas-feiras, às 20h, na Praça Pedro Archanjo, no Pelourinho, Márcia faz festa atiçando nossas memórias e nossos corpos. E quem for lá, comprovará o presente desta estrela aqui em questão. Alcançará a beleza daquela mulher mágica musical neste estado Bahia. Verá a poesia em retrospectiva e ouvirá um dos cantos mais gostosos deste Brasil.
Chega de tanta injustiça, se é para classificar Márcia como cantora regional, que ao menos em nossa região, durante o Carnaval, ela ocupe o lugar que é seu de direito, por talento e experiência: a melhor voz que se empresta a esta festa popular, constatada como a maior do planeta Terra.
Acordem! Márcia vive e canta na Cidade da Bahia.
Marlon Marcos é jornalista e antropólogo.
( Retirado do Mundo Afro, portal do A Tarde online, de Cleidiana Ramos).

O sujeito encarnado


Serviço:

Evento: lançamento do livro "O sujeito encarnado - a sensibilidade como paradigma ético em Emmanuel Levinas".

Autor: Prof. Luciano Santos

Local: Palacete das Artes Rodin Bahia

Dia: 17 de dezembro ( quinta-feira) de 2009, às 19 horas

Endereço: Rua da Graça, 284, Graça

Entrada Franca ( o livro será vendido por 35 reais)


domingo, 13 de dezembro de 2009

Cidadezinha qualquer


Cachoeira
Drummond, Copacabana, Rio de Janeiro

Cidades entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.


Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.


Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.

Carlos Drummond de Andrade


sábado, 12 de dezembro de 2009

Fome de afeição


Delicado como a palavra em Keats.
Visto de olhos fechados e,
Perdido à luz do dia.
Entremeia os espaços agudos do corpo
E o silêncio profundo da alma,
E cala boca abre peito
Enquanto um ri
O outro chora
Mergulhado em doçura e sedução.
Formas do dessentido
Que vem no prazer das mãos.
Mundo imaginativo e vencido
No calor daquele abraço.
Tudo achado num sorriso
E perdido pelas intempéries do tempo.
Saga de uma boca amante em silêncio
Ávida por afeição batendo à porta,
Entrada do desencontro.
Cenas de poemas infindos
Na réstia dos escritos por John Keats.

Sofisticação


Em mim uma manhã calorenta com feição de falta, jeito de discórdia, fortes descobertas, pouco desejo, preguiça funcional, sem música mas com poemas, imagens mil, aquela fantasia, rezas, flores, aulas e amor. Isso de me reconhecer cotidiano e de sobreviver às minhas rotinas: como dói. Tenho um acordo com a fama, mas o que mais quero é o meu próprio abandono, intenso silêncio, isolamento. Filosofia máxima de Greta Garbo; a obscuridade de rostos sem nome - quero cheiro de gente simplesmente: um coração batendo, a vida levando sem perguntas, roupas sendo meramente lavadas, conversas banais e pesando mesmo, só a ânsia e a luta pela sobrevivência. Quero o mais simples de mim. Tão levemente respirar...
Uma manhã para cá bem dentro e eu dito por resolução. Desse meu medo de só existir e eu que tanto existo só e não me concebo fora disso. Tenho as imagens de muita gente em meus falsos carnavais. A turba barulhenta; coisas que ficaram para trás. Sorte no destino: coincidências familiares - encontros consanguíneos, presença do pai! Manhã inteiramente anti-festiva e eu não me nego a este luxo. Que a tristeza traga inspiração e nos meus fragmentos, mais que dor, persista criatividade.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Centelhas femininas da arte em minha vida

Clarice Lispector
Maria Bethânia

Billie Holiday


Rota da inspiração: recortes da cena música poema movimento força transcedência bem estar pensar flores silêncio dor solidão paixão rasgo mundos espaço vazio livros cinema cores água vento fogo terra pluma sexo idas sumiço lamento realização...
Eis estas mulheres ventando força e sentimentos sobre mim. Ventando idéias que preciso fazer acontecer. Momentos de sagração do corpo para a alma: o âmago de tudo que desejo está ali. Voz descrita na escritura de mil cantos - e eu no branco do papel lindo ansiando versos feito oração e conclamando meus sentidos para estarem no quente do desenho criativo que guardo em mim atiçado pelas tintas mágicas da arte daquelas mulheres assim,
Eu, o pioneiro e o último desbravador das trilhas existenciais dos símbolos Marlon Marcos.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Clarice Lispector: 89 anos


Clara


Sempre existem sensações novas no âmbito da linguagem. De lá, ou daqui, o humano se reinventa e ressurge em suas vastas possibilidades de configuração, representação, de estar entre luz e sombra, vida e morte, corpo e alma, poder, é isso, poder de ser nas linhas e entrelinhas esculpidas na terracota da linguagem.

Da matéria ser em recriações vive o escrevinhador. Dos seus escritos refaz-se nossa imaginação e apreendem-se imagens que vencem da ignorância à solidão - e neles também, os escritos, existem a contínua humanização da qual não podemos escapar. A mente é instrumento para a movimentação da dialética, quando bem cheia, deve ser esvaziada, ao contrário, vazia, deve preencher-se de faíscas artísticas, de letras reluzentes, de palavras. Palavras - alimentos cozidos pelo talento de grandes literatos.

Em 10 de dezembro de 1920, nascia para o mundo Clarice Lispector. Nosso maior escritor. Dessa saga em mistério e sabedoria, de exposição e bruta solidão, um mito se construiu... eternamente recontável e cheio de lições de vida e de cores à espera da morte. Um mito postulado em teses acadêmicas, mas que tem força na esfera simples do mais simples dos leitores. A escritora em seu formato de mãe amante mulher perfilando seus não-lugares e ampliando, com sabor, esse mistério profundo que é existir.

Festa para Xangô


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

De mim para mim



"Eu não vou gostar de você porque sua cara é bonita
O amor é mais que isso
O amor talvez seja uma música que eu gostei e botei numa fita
Eu não vou gostar de você porque você acredita
O amor é mais que isso
O amor talvez seja uma coisa que até nem sei se precisa ser dita".
"Vozes queridas, vozes ideais
daqueles que morreram ou
daqueles que estão
perdidos para nós, como se mortos".
"Você desconversa, você pode tapar o sol
E me desconcerta
Deixando o meu sangue sem sal
Você atravessa o sentido de cada sinal
Que eu mando de dentro do azul
Desse amor que é só seu afinal, só meu afinal
Tão forte querendo eu me multiplico por mil
Você não está vendo há uma coisa que é você e eu
Que brilha no espaço no tempo no céu e no chão
Que arde mesmo aquém e além
Desse jeito de eu dizer que sim e você que não
Um dia você vai voltar
Como numa canção do passado
Dizendo que fui muito burra
Em não atender ao chamado".