sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Intrigado

nessa vida?!?!

um tempinho a mais

para mais um pouquinho

da poesia escrita intra

ao que ainda me intriga

neste mundo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Eu quero Dilma 2014


Esmagar a liberdade amorosa alheia, aviltar o exercício da coexistência diversa, erguer, cada vez mais, violências contra o não normativo, infiltrar no caminho das buscas coletivas a real ordem dos individualismos, exercer a tirania do discurso sofístico anti-comunicacional, desenhar o bem disfarçando o mal, impedir que se seja dentro do que se é, entre tantas outras desgraças que se abatem sobre o brasil, eis que o potente Sudeste, lugar dos lobão da quase vida, nos dá, como deputados federais mais votados, bolsonaro e feliciano . Reforços para Aécio ou para Dilma?

Essa é a urgência da Política - e eu tenho um prazer fundamental em poder participar de tudo isso escolhendo e não abrindo mão de querer votar, de ainda poder votar, talvez contra nada, mas tão simplesmente a favor do direito mínimo de me expressar frente ao que se ordena como eleição ( e é bom que ela exista!), mesmo que exprima nossas derrotas existenciais e configure a chegada da horda de seres humanos que colaboram, em nome da fé, no trânsito da política, contra os que afirmam a riqueza e a inexorável diferença que caracteriza a humanidade.

A tormenta do conservadorismo, a moral ilibada dos torturadores, a perfeição dos religiosos( cheios de bondade e luz), a verdade científica dos ateus, a excessiva vaidade, o barulho das falas ( a minha também), o despreparo como sorte, a incompetência geral frente ao amor, esse vazio igual a hipocrisia, a vaidade galopante, a mentira como verso em récita, a maioria dos eleitos, a nossa ignorância universitária, o voto nulo e branco, o voto no candidato que nem se sabe o nome, o declínio de gente como lobão, a falta de beleza, a feiura nas academias, a feiura acadêmica, o que não deixa viver como urge ser vivido, o que só pensa em traduzir, o que emporcalha.

Na entrada, na saída, nas laterais. Este meu reducionismo... A turba que me cansa e eu que me canso igualmente de mim.
Respiro. Do pouco, verdadeiramente positivo, para mim, tem a eleição de Jean Wyllys...

Feliz com a não eleição de Marina... lobonizado com a possibilidade de ter Aécio como presidente: se for, vou querer outro país, por favor!
Pensando no quão grande seria Luciana Genro. E clamando Dilma Rousseff para presidente. Não a Paulo Souto!

E Rui Costa - tome tino, seja melhor que Jaques Wagner e para isso nem se queira muito competente.

E um ex-viado, o cu- rado, foi um dos mais votados na Bahia... Os alquimistas estão chegando.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vércia: olhos voz da canção



Ela é uma das grandes revelações do canto
feminino na Bahia. Sua inspiração
pode imprimir um passeio por temá-
ticas que abordem a diversidade, a comple-
xidade humana quando o assunto for sexua-
lidade, mas, além disso, seu canto rasga e
convida à doçura como se esta fosse comum
a todos os seres humanos. Vércia Gonçalves
tem sido corriqueira em cenários que efer-
vescem samba e outras pérolas do cancioneiro
brasileiro na cidade da Bahia. Cada apresen-
tação da cachoeirana, de 34 anos, nos apre-
senta a novas descobertas de possibilidades
estéticas: mesclas de motes das religiosidades
afro-brasileiras com o mais tradicional dos
sambas, mais o repertório urbano e luminoso
de colegas suas como Gal Costa.

Os olhos incrivelmente belos acompanham
a voz. A liminaridade de sua presença, entre
masculino e feminino, traz à tona a qualidade
vocal eterna de Aracy de Almeida; e, assim, se
desvenda Vércia como uma promessa desme-
dida para engrandecer ainda mais a tradição
feminina da Bahia quando a deixa é canção.
Apesar de trilhar uma trajetória de mais de dez
anos de carreira, Vércia ainda está escondida
para o grande público baiano. Ela qualifica as
noites e as tardes musicais da Bahia, cantando
em lugares como o mítico bar Zanzibar, se
cercando de colegas e amigos, como o seu
maior incentivador: o cantor Carlos Barros.

É outra que evidencia a negritude de nossa
gente e que à frente de meras questões da
necessária afirmação etnicorracial, produz ex-
periências de fruição que só a verdadeira in-
ventividade pode oferecer. Óbvio que nem
sempre foi assim. A carreira de Vércia é um
aclive a favor das melhoras que o aprendizado
e o estudo garantem, e, ralando como deve ser,
a cantora presta homenagens a Clementina de
Jesus, Clara Nunes, Maria Bethânia... Sangra
emoção e simplicidade, o drama na medida
certa, o ar menino menina, afinação, a voz
rascante são elementos da artista que se cons-
trói para a raridade.

É negra a beleza castanha dos olhos de
Vércia. E ela vaza de qualquer unilateral
comparação com a grande Mart’nália. Vér-
cia é a parte da Bahia que pode resultar

universal.

(Publicado no Jornal A Tarde, Página 3, Opinião, 27 de setembro de 2014)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Da voz de Bethânia para minha Mãe Iemanjá



Entoo-Lhe , da voz de Bethânia, orações...

o tempo está violento, maus presságios

ondas rasteiras do moralismo

barulhos fundamentalistas ferindo o silêncio,

burocratizando a Fé...

desrespeito ao direito diverso e legítimo

de amar...

hordas da hipocrisia vicejando

racismos de todas as espécies,

morte ao outro em nome da divindade,

usura disfarçada de contrição,

maldade, perversidade, agressão

advinda dos pregadores da salvação...

fedor por todos os lados....

descaso com o direito à vida

injustiça sanguinária dos que se dizem

santificados...

Oh, Mãe

Ouve a cantora

o que dizemos sangra e é água

transborda história, é pura emoção

Ouve

Ouve

Ouve

e me alivia para o público isolamento

marcado tão somente da Tua presença

e das coisas do mar...

deixa em mim o que for do amor

só pessoas à luz do amor...

um pouquinho só

todas revestidas de amor,

Seu filho dileto!

Axé

sábado, 6 de setembro de 2014

Cássia Eller



minha alma levinha,
mas chorosa,
mais contente...

o sorriso
menininha
do rapaz valente...

quanta alegria!

revê-la personagem
nessa intensa saudade
que se cumpriu em nós...

quanta alegria!

apanhá-la pelos ouvidos
dançando em meus olhos
meu corpo suando...

quanta alegria!

me eternizar na
eternidade da sua música
pra chorar gratidão e vontade...

quanta alegria!

o excesso da sua presença
minha falta de paciência
para esse mundo tão careta...

silencio...

e navego a mim mesmo
nos reflexos dos seus
testemunhos.

venço muro
transito o oco
a cara gata extraordinária;

viajo

entre signos clariceanos
e clamo:

todos os sons
todos os versos
que ouvi e li

em sua voz rasgada.

sábado, 30 de agosto de 2014

olho cego cheio de luz



todo tempo perto de mim
traços do que mais me vejo
na vontade profunda de mu -
dança a cantar
belezas que me elevam.

olho cego cheio de luz
nem o poeta me alcança
deveras samba sem efeito
o amor, este amor, aquele amor
tudo passageiro:

a menina sem trança
me olha e ri
panorama da falta
poética e solidão...

a menina dança
civilizações sobre mim

mas me sou todo selvagem,

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

***

o nome me silencia

frente aos olhos que me queimam...

aspiro o toque da boca

ora calada ora acesa

de verdades sensuais...

sinto das mãos

que me seguram

deslize delícia passeio:

meu beijo no umbigo

quando fica tudo

pronto para então.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

***


no fundo,
para não me afogar em hipocrisias,
tenho viajado em superfícies.

terça-feira, 29 de julho de 2014

navegante

É dessa minha condição de corsário, voraz amante do mar, que me apronto todo em muitas idas e vindas, arranjando sonhos, desconversando, banhando-me, fazendo silêncio, gritando, navegando do meu jeito, quase sereia, chorando, mas muita alegria, quando saio, no sentido da felicidade.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

do que não houve

queria que fosse bem tarde... bem desgaste do tempo negando. fosse maior que a dura saudade e sem retorno do sol... fosse inteira vida em segundos e acabasse sem a ideia de acabar. fosse: intervalos entre a falta de sorte...dois corpos bem separados localizados no exíguo espaço do desencontro...falta de nome e falta de transporte...o medo matando... todo o tempo do que não houve.