domingo, 23 de novembro de 2014

A cota Sinavulu do congo-angola



Publicado no Jornal A Tarde, dia 22 de novembro de 2014, no Caderno Opinião, p. 03

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Gal Costa trouxe Espelho d'Água para o Teatro Castro Alves

(Gal Costa - foto Daniel Menezes)


Como foi escrito para sempre ser: o canto mais doce que o século XX conheceu em todo mundo.

O grande talento se renova entre as canalhices das críticas perversas e a vontade de expressar a história de um cantar sublime que revela outras histórias da inventividade musical de uma mulher. O canto solar de Gal Costa deslumbrou a plateia do TCA, nesta noite de sábado, dia 08 de novembro de 2014, reafirmando que quem deve se aposentar são os obtusos críticos de tais rodas baianas que não podem alcançar a vitalidade de uma voz eterna e de uma trajetória que deve ser respeitada como poucas na história da Música Popular Brasileira.

Gal fez, com parte do seu refinado repertório, o que Billie Holiday fazia ao reinventar várias vezes uma mesma canção. Gal fez a gente respirar com seus pulmões divinos e aos nossos ouvidos deixou o assombro por assistir uma outra mesma cantora - destinada a iluminar de sons o que é possível de beleza a este país.

A nova desde Recanto é a mesma amadurecida de Caras e Bocas e o Brasil deve ser plateia atenta para esta cantora que, junto a Maria Bethânia e Nana Caymmi, nos formam em escolas de grandiosas cantoras, sendo estas três, a síntese viva do cantar feminino brasileiro. Resta Elis. Aliás, restam tantas.

E Gal viva no Palco Sagrado do nosso Teatro: nos pondo a rir e a chorar, como só fazem os verdadeiros artistas...

Claudia Cunha, vivi de lembrar você - aluna e mestra desta síntese!!!

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Intrigado

nessa vida?!?!

um tempinho a mais

para mais um pouquinho

da poesia escrita intra

ao que ainda me intriga

neste mundo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Eu quero Dilma 2014


Esmagar a liberdade amorosa alheia, aviltar o exercício da coexistência diversa, erguer, cada vez mais, violências contra o não normativo, infiltrar no caminho das buscas coletivas a real ordem dos individualismos, exercer a tirania do discurso sofístico anti-comunicacional, desenhar o bem disfarçando o mal, impedir que se seja dentro do que se é, entre tantas outras desgraças que se abatem sobre o brasil, eis que o potente Sudeste, lugar dos lobão da quase vida, nos dá, como deputados federais mais votados, bolsonaro e feliciano . Reforços para Aécio ou para Dilma?

Essa é a urgência da Política - e eu tenho um prazer fundamental em poder participar de tudo isso escolhendo e não abrindo mão de querer votar, de ainda poder votar, talvez contra nada, mas tão simplesmente a favor do direito mínimo de me expressar frente ao que se ordena como eleição ( e é bom que ela exista!), mesmo que exprima nossas derrotas existenciais e configure a chegada da horda de seres humanos que colaboram, em nome da fé, no trânsito da política, contra os que afirmam a riqueza e a inexorável diferença que caracteriza a humanidade.

A tormenta do conservadorismo, a moral ilibada dos torturadores, a perfeição dos religiosos( cheios de bondade e luz), a verdade científica dos ateus, a excessiva vaidade, o barulho das falas ( a minha também), o despreparo como sorte, a incompetência geral frente ao amor, esse vazio igual a hipocrisia, a vaidade galopante, a mentira como verso em récita, a maioria dos eleitos, a nossa ignorância universitária, o voto nulo e branco, o voto no candidato que nem se sabe o nome, o declínio de gente como lobão, a falta de beleza, a feiura nas academias, a feiura acadêmica, o que não deixa viver como urge ser vivido, o que só pensa em traduzir, o que emporcalha.

Na entrada, na saída, nas laterais. Este meu reducionismo... A turba que me cansa e eu que me canso igualmente de mim.
Respiro. Do pouco, verdadeiramente positivo, para mim, tem a eleição de Jean Wyllys...

Feliz com a não eleição de Marina... lobonizado com a possibilidade de ter Aécio como presidente: se for, vou querer outro país, por favor!
Pensando no quão grande seria Luciana Genro. E clamando Dilma Rousseff para presidente. Não a Paulo Souto!

E Rui Costa - tome tino, seja melhor que Jaques Wagner e para isso nem se queira muito competente.

E um ex-viado, o cu- rado, foi um dos mais votados na Bahia... Os alquimistas estão chegando.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Vércia: olhos voz da canção



Ela é uma das grandes revelações do canto
feminino na Bahia. Sua inspiração
pode imprimir um passeio por temá-
ticas que abordem a diversidade, a comple-
xidade humana quando o assunto for sexua-
lidade, mas, além disso, seu canto rasga e
convida à doçura como se esta fosse comum
a todos os seres humanos. Vércia Gonçalves
tem sido corriqueira em cenários que efer-
vescem samba e outras pérolas do cancioneiro
brasileiro na cidade da Bahia. Cada apresen-
tação da cachoeirana, de 34 anos, nos apre-
senta a novas descobertas de possibilidades
estéticas: mesclas de motes das religiosidades
afro-brasileiras com o mais tradicional dos
sambas, mais o repertório urbano e luminoso
de colegas suas como Gal Costa.

Os olhos incrivelmente belos acompanham
a voz. A liminaridade de sua presença, entre
masculino e feminino, traz à tona a qualidade
vocal eterna de Aracy de Almeida; e, assim, se
desvenda Vércia como uma promessa desme-
dida para engrandecer ainda mais a tradição
feminina da Bahia quando a deixa é canção.
Apesar de trilhar uma trajetória de mais de dez
anos de carreira, Vércia ainda está escondida
para o grande público baiano. Ela qualifica as
noites e as tardes musicais da Bahia, cantando
em lugares como o mítico bar Zanzibar, se
cercando de colegas e amigos, como o seu
maior incentivador: o cantor Carlos Barros.

É outra que evidencia a negritude de nossa
gente e que à frente de meras questões da
necessária afirmação etnicorracial, produz ex-
periências de fruição que só a verdadeira in-
ventividade pode oferecer. Óbvio que nem
sempre foi assim. A carreira de Vércia é um
aclive a favor das melhoras que o aprendizado
e o estudo garantem, e, ralando como deve ser,
a cantora presta homenagens a Clementina de
Jesus, Clara Nunes, Maria Bethânia... Sangra
emoção e simplicidade, o drama na medida
certa, o ar menino menina, afinação, a voz
rascante são elementos da artista que se cons-
trói para a raridade.

É negra a beleza castanha dos olhos de
Vércia. E ela vaza de qualquer unilateral
comparação com a grande Mart’nália. Vér-
cia é a parte da Bahia que pode resultar

universal.

(Publicado no Jornal A Tarde, Página 3, Opinião, 27 de setembro de 2014)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Da voz de Bethânia para minha Mãe Iemanjá



Entoo-Lhe , da voz de Bethânia, orações...

o tempo está violento, maus presságios

ondas rasteiras do moralismo

barulhos fundamentalistas ferindo o silêncio,

burocratizando a Fé...

desrespeito ao direito diverso e legítimo

de amar...

hordas da hipocrisia vicejando

racismos de todas as espécies,

morte ao outro em nome da divindade,

usura disfarçada de contrição,

maldade, perversidade, agressão

advinda dos pregadores da salvação...

fedor por todos os lados....

descaso com o direito à vida

injustiça sanguinária dos que se dizem

santificados...

Oh, Mãe

Ouve a cantora

o que dizemos sangra e é água

transborda história, é pura emoção

Ouve

Ouve

Ouve

e me alivia para o público isolamento

marcado tão somente da Tua presença

e das coisas do mar...

deixa em mim o que for do amor

só pessoas à luz do amor...

um pouquinho só

todas revestidas de amor,

Seu filho dileto!

Axé

sábado, 6 de setembro de 2014

Cássia Eller



minha alma levinha,
mas chorosa,
mais contente...

o sorriso
menininha
do rapaz valente...

quanta alegria!

revê-la personagem
nessa intensa saudade
que se cumpriu em nós...

quanta alegria!

apanhá-la pelos ouvidos
dançando em meus olhos
meu corpo suando...

quanta alegria!

me eternizar na
eternidade da sua música
pra chorar gratidão e vontade...

quanta alegria!

o excesso da sua presença
minha falta de paciência
para esse mundo tão careta...

silencio...

e navego a mim mesmo
nos reflexos dos seus
testemunhos.

venço muro
transito o oco
a cara gata extraordinária;

viajo

entre signos clariceanos
e clamo:

todos os sons
todos os versos
que ouvi e li

em sua voz rasgada.